Zé – o ator da vida real
Simplesmente terminou. Não foi de uma maneira trágica, não foi de maneira heróica. Simplesmente foi. Foi-se o ator nato, o ator do dia-a-dia, o ator da vida real. Porque ele não interpreta algum personagem, os personagens é ele mesmo.
Ele se chama... Na verdade, nenhum de seus conhecidos sabe seu verdadeiro nome. Apenas ele mesmo sabia qual era o seu nome verdadeiro. Isso porque ele se cansou de soletrar seu nome, então decidiu se chamar Zé, isso foi o que ele sempre falou.
Zé, porque não é necessário soletrar; Zé, porque é um nome comum para uma pessoa que quer se passar por comum; Zé porque é a síntese de um nome, que é a síntese do ser humano.
Mas, comum, era uma das poucas coisas que ele não era. O Zé tinha uma mágica no seu viver que encantava qualquer um. Com uma aparência que não impressiona ninguém a primeira vista, muda completamente com dois minutos de conversa com ele, só porque ele vê o mundo e as pessoas de uma maneira diferente, ele entende quem é aquele que está conversando com ele, entende o que essa pessoa quer ver na outra, e se torna isso. Não conscientemente, ele faz isso como uma brincadeira.
Te digo que, nesse momento, tenho minhas dúvidas que ele tenha realmente ido, mais uma vez ele pode estar só fingindo, coisa que ele fazia magistralmente, fingia felicidade, irritação, tristeza, calma, raiva, nervosismo... Todas as emoções de uma forma tão verdadeira, que se ele quisesse, ele faria você acreditar nesse estado dele, mas o Zé não enganava as pessoas para se aproveitar disso, não pense mal dele; ele fazia isso pra se divertir e divertir os outros, mais um teste para suas capacidades de mentir, mais um espetáculo daquele que fazia de sua vida um grande filme.
Agora vou te contar como ele supostamente morreu.
Capítulo I: A preocupação do João
Primeiro vou falar de quem se trata o João. Ele é o irmão mais novo do Zé. Mas, ele não se chama João, esse é o nome que Zé achou mais apropriado, pois é simples, como o seu, o verdadeiro nome dele é Marcos.
Ele é bem diferente do Zé. João sempre foi mais sério que o Zé, afinal ele não nasceu com talento que se equipara ao do Zé, apesar de que ele também tem seus truques. Não, João era apenas um homem de 30 e poucos anos, que foi sempre foi criado pelo Zé, mas nos últimos anos o que mais acontecia era o contrário.
João era muito compreensivo e prestativo, e como o Zé era a sua única família, sempre se importou muito com Zé, até mesmo mais do que consigo, mas, como grande egoísta que é, ele também tinha os momentos em que sua vontade vinha primeiro. Porém, também não julgue o João, ele também é humano, e mesmo com seus defeitos, ele fez muito pelo Zé e tentou ajudá-lo até o seu ‘fim’.
Nos últimos meses, Zé andava perigoso, seu teatro tava perdendo a graça para as pessoas. Parece que quando elas descobrem que o Zé era diferente para cada uma delas, se adaptando pros seus gostos. Ele nunca foi uma pessoa que gostou de perder amigos, e como isso não havia acontecido com ele até então, ele não tinha muita experiência nisso, então ele insistia para que esse seu amigo não o deixasse, até que esse amigo perdesse totalmente a paciência com ele. Alguns até tentaram agredi-lo, o que é terrível porque o corpo dele sempre foi franzino.
Portanto, eu sempre estava junto do Zé, para garantir que sua crise de identidade não trouxesse problemas pra ele. Ele estava assim porque estar perdendo a graça e ter as pessoas se afastando dele, foi sempre o que o Zé não queria imaginar, não gostava nem de ouvir falar disso; sua vida era sua graça.
E João, temia por ficar sozinho, sem nada que o ligasse ao passado, ninguém que pudesse ser seu suporte, até porque nunca fez muitos amigos, e claro que temia por seu único parente, como qualquer um faria. Por isso, ele costumava vir na nossa casa pra ver como o Zé estava e também pra ver se ele conseguia fazer sair aos poucos da crise.
E pior de tudo: João sabia que se Zé se metesse num problema verdadeiro, nem ele nem eu poderíamos fazer alguma coisa para resolver.
Mas mesmo assim, nenhum de nós sabia como fazer o Zé voltar a ser aquela pessoa que nos encantava com seu jeito de encarar as pessoas, e não simplesmente uma pessoa que nem sabia quem realmente era.
esse ñ eh o fim, mas so qero saber se tah ficando bom por enquanto